16 de agosto de
2013
Como acontece anualmente, em
2013 obreiros identificados com o Movimento Encontrão (ME) da IECLB se reuniram
para estudo, comunhão e oração nos dias 12 a 15 de agosto em Florianópoils.
Entre outras coisas, foi escrito um Manifestação pela Fidelidade ao
Evangelho. Ela reflete alegrias, preocupações e propostas sobre o momento
vivido no ME, na IECLB e no mundo contemporâneo. O manifesto está abaixo e foi
assinado por mais de 100 (cem) obreiros/ministros ali
presentes.
Publicamos esta como testemunho
e carta de propósitos.
CHAMADOS À
FIDELIDADE AO EVANGELHO
Uma igreja da reforma sempre
vive em reforma
Somos profundamente gratos a
Deus pela vocação com a qual ele nos agraciou e através da qual ele nos chama
para sermos dele e para ele. Somos igualmente gratos que esta acolhida de Deus
acontece na vida em comunidade e temos o privilégio de vivê-la no âmbito da
Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), à qual pertencemos,
na qual atuamos e com cuja profissão de fé nos identificamos (Constituição da
IECLB art. 5º). Ela aponta para a graça em Cristo que é recebida em fé,
está baseada nas Escrituras, é vivida em comunidade e se expressa
no testemunho e na vida em sociedade.
Como herdeiros da reforma,
afirmamos e praticamos o sacerdócio geral de todos os crentes. Por isso buscamos
engajar os membros do corpo de Cristo no serviço na igreja de acordo com os dons
que receberam do Espírito Santo. Afirmamos o serviço missionário e diaconal como
forma de viver e proclamar o evangelho integral.
Ao vivermos a nossa vocação no
âmbito da IECLB, percebemos sinais que nos preocupam e para os quais queremos
chamar a atenção. Ainda que inconformados com isto, reiteramos nosso compromisso
com o testemunho de fé dos reformadores (Catecismo Menor e Confissão de
Augsburgo). Queremos buscar por espaços para viver esta convicção de fé e chamar
a igreja a voltar para ela.
Entre as nossas preocupações,
destacamos os seguintes aspectos:
1.
Vivemos numa igreja que está se
apequenando e se tornando irrelevante no contexto religioso e social
brasileiro;
2.
Estamos preocupados com a
aceitação do ensino de que muitos caminhos levam a Deus, ou seja, que nega a
exclusividade de Cristo;
3.
Percebemos que se vivencia hoje
na igreja uma relativização da autoridade das Escrituras;
4.
Apontamos também para a
relativização da ética que desestrutura e desfigura especialmente a família. Este cenário gera posições confusas e até ambíguas na
IECLB quanto à sexualidade humana. Estas, por sua vez, se refletem na
insegurança e incapacidade de comunidades e ministros
tratarem a crise do casamento e da família;
5.
Experimentamos um
desempoderamento das nossas comunidades locais e,
ao mesmo tempo, uma centralização que coloca as comunidades a serviço da
estrutura e as cerceia, bem como seus ministros, em torno de uma uniformidade de
atos, gestos e ritos;
6.
Inquieta-nos a crise vocacional
e missionária na igreja.
À luz destes sinais
preocupantes que descaracterizam nosso próprio jeito histórico de ser igreja
evangélica, reafirmamos a nossa fé e gestamos um renovado compromisso em torno
das seguintes afirmações:
1.
Cremos que Cristo é
o caminho, a verdade e a vida, a
revelação definitiva e suficiente de Deus (João 14.6);
2.
As
Escrituras são a nossa norma de fé e vida e de ministério, que se interpreta a
si mesma, assim como afirmado pelos reformadores (1Coríntios
15.3-4);
3.
A fé
cristã se vive em comunidade fraterna que recebe e interpreta a Palavra, e,
ainda que formalmente autônoma, vive em parceria com outras comunidades irmãs e
serve a Deus em seu contexto (Filipenses 2.1-4);
4.
A fé
é dom gracioso de Deus que implica em obediência individual e coletiva. Cada
cristão é chamado a obedecer ao mandamento de Deus em todos os âmbitos de sua
vivência (Gálatas 5.24). No âmbito comunitário cremos que a obediência
produz uma prática missionária de natureza evangelística e diaconal (Atos
1.8).
Nós cremos que a Igreja precisa
estar constantemente comprometida com a vivência e pregação do Evangelho que
gera uma igreja contextualizada, aberta e acolhedora.
Encontro de Obreiros do
Movimento Encontrão
Florianópolis, 14 de agosto de
2013
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