05
de fevereiro de 2013
A
FÉ CRISTÃ E O CARNAVAL
Festas semelhantes ao Carnaval podem ser encontradas em todas as
culturas, desde a antiguidade. Geralmente, eram festas populares, vinculadas aos
cultos de fertilidade, mediante os quais se apresentavam agradecimentos aos
deuses pela colheita e pelos frutos da terra. Eram festas em que geralmente os
valores e preceitos morais eram “relaxados” e onde as pessoas tinham mais
“liberdade” de ser e fazer o que quisessem. O Carnaval, contudo, foi assumindo a
forma atual a partir da Idade Média, quando a Igreja instituiu as celebrações da
Semana Santa. Por isto, o Carnaval (como a Páscoa) é uma festa móvel: ele sempre
acontece 47 dias antes da Páscoa. Como a Páscoa é fixada para o Domingo após a
primeira lua cheia depois do equinócio da Primavera (no hemisfério Norte), o
Carnaval ocorre 47 dias antes, numa Terça-feira (chamada: Terça Gorda!). Isto
porque no dia seguinte começa a Quaresma, que é um período de jejuns e de
mortificação, onde a sociedade deixa de lado os prazeres da carne, e se prepara
espiritualmente para a celebração da Páscoa. Por isso, Carnaval vem do latim:
carni valles = prazeres da carne! Por esta razão, a festa foi
assumindo a sentido de uma “liberação total dos prazeres da carne”, um vale
tudo, já que depois disso teria que se abandonar esses prazeres.
Poderíamos fazer uma longa análise destas coisas em nossos dias. Fato é
que vivemos numa sociedade “líquida”, onde não se sabe mais o que é certo e o
que é errado, e cada vez mais as pessoas precisam das festas para sobreviver. E
o carnaval é a supra-sumo delas no Brasil. As cores, a música, a dança, as
fantasias e a liberdade, especialmente sexual, em muitos casos reprimida durante
o ano, tornam o carnaval o evento mais popular do nosso país. As pessoas
precisam de espetáculo, de injeções de cores, quando a vida não passa de uma
grande variação de tonalidades de cinza. Vivemos numa Sociedade do Espetáculo,
como a definiu Guy Debord, que cria uma sede artificial nas pessoas, que se
rendem a ela, pois não encontram outras razões existenciais para enfrentar um
cotidiano cinza demais para se viver... Sociedade que coisifica as
pessoas, para satisfazer seu lucro, sua ganância.
Deus nos
dá outra razão para viver. Pela fé em Cristo, temos uma nova vida, e encontramos
uma razão para nossa existência. Ele nos liberta das paixões e dos prazeres da
carne, para que tenhamos uma vida plena, em que não somos sujeitos e escravos de
nada. Não mais lutamos segundo a carne (2 Cor 10.3), nem mais lhe somos
devedores (Rm 8.12), pois ela foi crucificada com Cristo (Gl
5.24).
A fé
cristã, contudo, não é contra festas!O evangelho não proíbe a alegria (Jo
15.11). Pelo contrário, ele nos devolve a alegria, ele tira a vida do “cinza” e
a torna muito alegre... Não é possível imaginar uma VIDA PLENA (Jo 10.10), como
Deus a deseja para nós, desprovida de alegria, gozo, celebração e festa! Será
que a Igreja tem falhado em mostrar esta face da fé cristã para o mundo? Somos
felizes 365 dias por ano. Somos livres, e não dependemos do Carnaval para nos
“extravasarmos”. Quem vive uma vida com Deus está louco mesmo para “extravasar”
a paz, o amor e a alegria que encontrou no seu Criador. Temos muitos motivos
para celebrar. Façamos isto, sendo livres, alegres, curtindo a vida e o amor
eterno que nós conhecemos em Jesus! Aleluia!
P. Rui Petry – Florianópolis, SC
Contato: joelschlemper@gmail.com