05
de junho de 2013
Aborto
Aborto:
uma questão de saúde pública?
A
discussão em torno do aborto reaparece de tempos em tempos. Há quem defenda que
o aborto não seja mais considerado crime. O argumento é que se trata de uma
questão de saúde pública. A razão seria o número elevado de mulheres que morrem
em decorrência de abortos clandestinos.
Ninguém
apresenta números exatos nem a fonte, o que poderia nos levar a duvidar dos
altos números apresentados Mas, mesmo que os números fossem altos, isso
justificaria descriminalizar o aborto? Se o feto é pessoa há algum motivo
justificável para matar alguém? Por isso queremos analisar este
tema.
O
que é aborto?
Mas
porque aprovar leis no Brasil que descriminalizem o aborto? Há algum interesse
oculto nessa intenção?Como cristãos comprometidos com a Palavra de Deus e o
respeito à vida podem se posicionar a este respeito?O que afinal de contas é o
aborto?
Aborto
é a expulsão ou extração da placenta ou membranas sem um feto identificável, ou
com um recém-nascido vivo ou morto que pese menos de 500 gramas ou que tenha
menos de 20 semanas. O aborto pode ser espontâneo, quando acontece por
causas naturais, ou provocado, quando ocorre por intervenção especial do
ser humano.
Legislação
brasileira
A
legislação brasileira em vigor é uma das mais duras quando trata do tema. O
aborto é considerado crime. Contudo, o artigo 128 do código penal, não o pune em
duas situações: a) Quando a vida da mãe está em perigo; b) Em caso de estupro.
Recentes decisões judiciais autorizaram aborto de fetos sem cérebro. Ao mesmo
tempo, o artigo 5º da Constituição garante a
todos o direito à vida.
Quando
a vida começa?
Uma
das grandes perguntas em torno do debate sobre o aborto é: “quando começa a
vida?”. Existem basicamente três opiniões:
1)
Os
que defendem o início da vida baseados em dados genéticos. Estes
entendem que a vida humana inicia no momento da concepção.
2)
Os
que acreditam que o feto precisa se desenvolver para só depois ser considerado
uma pessoa.
Neste grupo estão os que dizem que a vida começa a partir da nidação (12 dias),
ou da formação do córtex cerebral (20 semanas), ou a partir da constituição
física do feto (21 semanas), ou ainda a partir de sua saída do útero.
3)
Os
que afirmam que a vida só pode ser determinada a partir de suas conseqüências
sociais.Neste
grupo, defende-se a ideia que uma gestação não deveria ser levada adiante se o
feto causar problemas sociais. Por exemplo: se a família é pobre e não tem
condições de criar mais um filho. Ou se a mãe for uma adolescente e, em função
da maternidade, terá que interromper seus estudos.
A
Biologia pode nos ajudar a entender quando começa a vida. A vida humana inicia
na concepção. Neste momento, já estão definidos sexo, cor dos olhos, cor do
cabelo, etc. E isto já o caracteriza como pessoa. O Salmo 139. 14-16
expressa essa verdade: Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui
formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.Os meus ossos não te foram encobertos, quando no
oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra.Os teus olhos viram a minha substância ainda
informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram
ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.
Por
isso, é inadmissível o aborto sob o argumento de que o filho prejudicaria os
planos da mãe ou provocaria consequências sociais
negativas.
O
que a Bíblia diz?
A
Bíblia não fixa o momento exato do início da vida, nem fala sobre o aborto
provocado. A Didaquê (Manual prático dos cristãos do século I) condena o aborto
ao dizer: Não farás morrer a criança pelo aborto nem depois de ter
nascido. Neste caso, se o feto é uma vida, deve ser protegido. Neste
sentido, o quinto mandamento ao dizer Não matarás (Êxodo 20.13)
não apenas proíbe matar, mas também nos compromete a proteger a vida, inclusive
a que ainda não nasceu.
Cristãos
defendem a vida.
Como
cristãos não podemos concordar com o aborto. Trata-se de um assassinato no qual
a vítima não tem como se defender. Defendemos a vida em qualquer circunstância,
porque temos nossa consciência cativa a Deus. Ao mesmo tempo, devemos agir com
sensibilidade naqueles casos em que a legislação não pune o aborto. Por exemplo,
se a mulher engravidar a partir de um estupro e decidir por não abortar, deve
ser apoiada. Por outro lado, se ela decidir pelo aborto igualmente precisa de
apoio. Nestes casos extremos, cabe à mulher decidir.
O
que podemos fazer para evitar o aborto?
Igreja
e Estado precisam se empenhar na defesa da vida, cada qual em seu âmbito. A
igreja, além de incentivar e valorizar a família, deve
desenvolver ações que promovam a paternidade e maternidade responsável dentro do
casamento. Os jovens precisam ser orientados para uma vida casta e decente. Além
disso, oferecer espaços para proteger a gestante que, por algum motivo, está
desprotegida e desamparada. Deve ajudá-la e ampará-la para que não lhe ocorra,
seja por desespero ou por falta de conhecimento, a tentação de interromper uma
vida inocente.
P. Joel
Schlemper – joelschlemper@gmail.com
Contato:
P. Joel
Schlemper
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